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“Nossa educação está doente”

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“A nossa educação está doente.” A afirmação é da pedagoga e subsecretária de Educação de Barra de São Francisco, Delma Ker. Ela falou esta semana com a reportagem do Notícia Certa e disse que considera justa a reivindicação dos professores que estão em greve desde o início do ano por reajuste salarial, mas não vê condições para atender à categoria, diante da situação caótica em que o setor se encontra.

A educadora disse que o setor tem que fazer um “mea culpa”, já que não consegue ofertar uma educação de qualidade aos mais de 5,5 mil alunos matriculados em 36 escolas da rede municipal. O setor tem um orçamento previsto para este ano de R$ 17,757 milhões, pouco mais de 16% do orçamento total do município e um efetivo de 219 professores, sendo que 40 deles, na versão da subsecretária, estão em movimento de greve pelo reajuste salarial.

“No ano passado nós trabalhamos para fazer autodiagnóstico e ficou comprovado que temos um déficit incrível nas competências (matérias), o que colocou todo o setor em estado de alerta”, comenta Delma.

Diante dessa situação, o prefeito Alencar Marim, que também é professor, decidiu mudar radicalmente a gestão da educação no município e adotou várias medidas impopulares, como o fechamento de uma escola no bairro Vaquejada e o adoção de turnos em duas creches municipais, como forma de “desafogar” a demanda.

“O fechamento da escola (no bairro Vaquejada) foi a melhor opção, já que o prédio não tinha a mínima estrutura para o atendimento aos alunos. Por outro lado, eles agora estão estudando em escolas bem melhor aparelhadas”, afirma ela.

Sobre a questão do turno nas creches, Delma Ker afirma que a solução foi a melhor, já que reduziu praticamente a zero a demanda por vagas. “Admito que existem casos pontuais de mães que não estão contempladas com o tempo integral por não se encaixarem nas regras, mas estamos analisando caso a caso”, disse ela.

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“Nosso Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é o pior da nossa região. Perdemos para municípios com menos recursos do que os nossos”, alerta ela, salientando que o modelo de educação ofertado no município tem que ser revisto.

De acordo com a subsecretária, nos últimos 30 anos o município não fez investimentos significativos em infraestrutura e nem em formação para seus quadros de professores, o que levou à atual situação.

“A questão salarial é importante para nós, mas os professores precisam entender que não há espaço para esse reajuste no momento. Nossa folha de pagamento está acima dos parâmetros da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e, nestas condições não há como o prefeito conceder nenhum reajuste”, argumenta ela.


camera_enhance Delmar Ker afirma que intuito é melhorar a qualidade da educação no município (Crédito: Editora Hoje)


Escolas Vicente Amaro, João Bastos e Cachoeirinha têm aulas parciais

Os professores que aderiram ao movimento de greve em Barra de São Francisco conseguiram paralisar quase totalmente as aulas nas escolas Vicente Amaro da Silva, no Campo Novo, João Bastos, na Vila Gonçalves e Cachoeirinha de Itaúnas, no distrito do mesmo nome, como admite, inclusive, a própria subsecretária de Educação.

De acordo com o Sindiupes, o movimento teve a adesão de mais de 60 professores efetivos e a greve será mantida por tempo indeterminado. Ontem, por volta das 19h, foi realizada mais uma assembleia da categoria para avaliar os resultados e decidir pela continuidade ou não da greve.

Nas ruas, o “ES1” entrevistou vários pais de alunos da rede pública municipal que se colocaram favoráveis à manifestação dos professores por reajuste salarial. No entanto, a maioria deles acredita que a greve não irá solucionar o problema e ainda trará prejuízos para os estudantes.

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“Eu dou total apoio aos professores. É um absurdo que neste país eles sejam sempre deixados de lado pelo governo. Os professores são a base da educação dos nossos filhos e, se eles não ganham o suficiente, não vão ensinar direito também”, raciocina a dona de casa M.F.H, moradora do bairro Bambé.

Para A. F. J., mãe de uma criança que estuda na Escola João Bastos, o prefeito Alencar Marim deveria ser mais sensível para com o problema dos professores e também olhar melhor para as famílias que estão sofrendo com a falta de creche em tempo integral para as crianças. “Ele foi eleito por nós porque acreditávamos que o prefeito iria melhorar a educação, a saúde, mas o que eu tenho visto é tudo piorando. Meu voto nele não tem nunca mais”, desabafa ela.


camera_enhance Escola Vicente Amaro da Silva é uma das que estão paralisadas (Crédito: Editora Hoje)


Transporte escolar também está com problemas em várias linhas

Não bastasse a greve dos professores, que tem atrapalhado o bom andamento do ano letivo em algumas escolas do município, os estudantes que moram longe de suas escolas também estão com problemas para chegar até o local. É que, segundo a subsecretária de Educação, Delma Ker, os transportadores estão exigindo um valor acima do que é pago pelo Estado para transportar os alunos, o que causou a paralisação de algumas linhas neste início de ano.

“Não temos como pagar mais do que o valor repassado pelo Estado, por isso estamos com esse problema pontual, de paralisação de algumas linhas, mas acreditamos que nesta sexta-feira (hoje), estará tudo normalizado”, disse Delma.


camera_enhance Alunos esperam transporte escolar na estrada de Cachoeirinha do Itaúnas (Crédito: Editora Hoje)


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Parceria com Ifes oferecerá 840 bolsas em cursos de aperfeiçoamento e de especialização

Vagas são destinadas a professores da rede pública de ensino dos municípios de Baixo Guandu, Marilândia, Colatina e Linhares (ES)

O projeto de Formação de Educadores da Rede Pública desenvolvido pela Fundação Renova, em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), disponibilizará cerca de 840 bolsas em cursos de Aperfeiçoamento e de Especialização, e 21 bolsas para o programa de Mestrado e Doutorado para professores da rede pública de ensino. As vagas serão oferecidas a profissionais de Baixo Guandu, Marilândia, Colatina e Linhares, no Espírito Santo.

Os cursos têm como objetivo promover a formação, em nível de pós-graduação, de educadores, sendo eles professores, gestores e representantes comunitários que atuem nas escolas públicas da educação básica dos municípios contemplados. Além de capacitar em diferentes níveis de formação com ações práticas que resultem em produtos educacionais, gerando assim impactos reais para a escola e o município.

Serão disponibilizadas 700 vagas para o curso de Aperfeiçoamento em Metodologias de Educação Ambiental e 140 vagas para o curso de Especialização em Educação Ambiental. A previsão é que as inscrições sejam abertas no segundo semestre de 2022 e os cursos iniciados no primeiro semestre de 2023.

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O projeto de Formação de Educadores da Rede Pública receberá um investimento total de cerca de R$10 milhões em recursos que serão repassados pela Fundação Renova.

Bolsas de Mestrado e Doutorado

O convênio também inclui 21 bolsas do programa de mestrado e doutorado do Ifes para pesquisas na área de educação socioambiental. Neste primeiro momento, foram concedidas sete bolsas de mestrado e sete de doutorado, que começaram em abril.

O programa prevê a oferta de outras sete bolsas de mestrado que serão disponibilizadas em 2023. Os primeiros contemplados foram selecionados entre os alunos que já haviam passado pela seleção interna do Ifes, no final de 2021, para os programas de mestrado e doutorado.

Com o programa, os bolsistas passam a integrar o projeto de Formação de Educadores em Educação Ambiental nas Escolas Capixabas do Rio Doce (também chamado de projeto Rio Doce Escolar) e vão desenvolver pesquisas com foco na produção de conhecimentos relacionados à formação de educadores, educação socioambiental e revitalização da Bacia do rio Doce.

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Fonte: Fundação Renova

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