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Ananias F. Santiago - ES1.com.br

MERITOCRACIA X MIMIMI

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Muito se fala e muito se ouve a respeito do assunto em questão. De fato são dois pontos controvertidos. São em suma duas formas de enxergar a mesma realidade. Se por um lado muitos bradam alto e  orgulhosos de seus feitos, de ter chegado lá, outros de sorte diversa lamentam não conseguirem o terem feito. Neste contexto não é raro ouvir “eu me esforcei muito para chegar onde estou, devo tudo ao meu próprio esforço”, mas comum também ouvirmos; “dei o meu máximo, mas não consegui alcançar o objetivo”. À estes chamam de “mimimi”, àqueles de “meritocratas”.

Como dito alhures são visões diferentes, mas da mesma realidade. De tal sorte que não adentraremos ao mérito da questão, tampouco ousaremos externar juízo de valor. Cada pessoa tem o direito de tomar como verdade a visão que lhe for mais confortável. Contudo, façamos alguns breves apontamentos.

Consideremos a título de exemplo uma personalidade conhecida nacionalmente; JOAQUIM BENEDITO BARBOSA GOMES, sim aquele mesmo, ex presidente da Suprema Corte nacional. Pois bem, esse mineiro natural de Paracatú, filho de um pedreiro e uma dona de casa, pobre de nascença, mas rico em força de vontade, aos dezesseis anos resolveu mudar-se para Brasília-DF, lá chegando, sem qualquer indicação política ou por amizade conseguiu trabalho no Correio Brasiliense, terminando o segundo grau, hoje ensino médio naquela cidade, e em colégio público, logo após passou no vestibular e cursou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília lá concluindo seu bacharelado, foi aprovado no concurso para Oficial de Chancelaria servindo na embaixada da Finlândia. Foi aprovado no concurso para Procurador da República, foi chefe do setor de consultoria jurídica do Ministério da Saúde, estudou na França por quatro anos obtendo grau de mestre e posteriormente doutor neste período na Universidade de Paris. Foi professor em algumas das mais importantes Universidades do país, sendo indicado para o cargo de Ministro do Supremo Tribunal federal em 2003.

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O exemplo acima é de alguém que venceu,  alguém que é apontado pelos adeptos da política da meritocracia como exemplo basilar da máxima “quem quer consegue”. Ouso discordar. Analisando a trajetória deste exemplo, podemos perceber duas coisas de pronto. Primeiro a meteórica trajetória de uma pessoa com extrema força de vontade, e segundo o esforço descomunal travado por esta pessoa para conseguir coisas simples para outras.

Vejamos dois casos, um de um jovem de classe alta que não tem como preocupação seu sustento, ou seus gastos pessoais, criado a pão de ló, com acesso a educação de primeira, cursinhos e tudo de bom que o dinheiro pode pagar. De outra sorte um jovem negro e pobre, criado na periferia, tendo que passar fome pois sua família não tem condições de lhe prover pelo menos o básico para subsistência. Podemos afirmar que ambos poderão ser tornar um médico, um engenheiro, um advogado ou um juiz. Mas reflita um pouco, será que o esforço para “chegar lá” será o mesmo para os dois? Ambos terão as mesmas oportunidades?

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Pense bem, uma pessoa pobre é pobre por que não se esforçou o suficiente? Imagine alguém que acorda às cinco da manhã e labora durante todo o dia sob o sol, isso 6 dias por semana, mas o valor que recebe por isso sequer dar para cobrir suas despesas básicas, será que esse trabalhador só é pobre porque não se esforçou o suficiente? Por isso a controvérsia a respeito do assunto. Nossa sociedade é injusta, é claro que é possível a quase todos alcançarem o que desejam. Entretanto, para alguns, mesmo que não percebam, há um conjunto de circunstâncias e fatores que jogam a seu favor e facilitam a sua vitória, enquanto para outros mesmo que se esforcem tanto quanto ou até mais do que aqueles, não alcançam o objetivo pois os fatores contrários são muito maiores.

Desta feita, aos meritocratas de plantão, antes de gabar-se ao que se tem conquistado, enumere os fatores determinantes das suas conquistas e veja quais deles são de seu exclusivo mérito. Agora aos “mimizentos” chorões, perceba que não obstante as dificuldades, cada um tem as suas, lute com bravura pois nada lhe será dado de mãos beijadas. Ninguém é culpado de ter nascido numa família rica, ou pobre, mas todos são responsáveis pelo rumo que decidem dar as suas vidas, e a bravura com que enfrentarão os obstáculos que certamente virão, independente da classe social. “Aquele que luta com bravura por seus objetivos, no mínimo fará coisas memoráveis”.

 

Ananias Ferreira Santiago
OAB/ES 29.206

Ananias F. Santiago - ES1.com.br

Tchau querida

A expressão é conhecida, aliás já virou jargão, repetida como um mantra. Mas o tchau aqui é mais profundo do que uma mera expressão, não é dirigido a uma pessoa ou a um partido político, tampouco à direita, esquerda ou qualquer tipo de classificação política. Aqui o tchau é a um modo de agir, a uma maneira de pensar, a uma cultura nefasta.

A nação brasileira há tempos vem demonstrando uma insatisfação contra uma cultura de atraso que tem se abatido sobre ela há décadas, e isso não diz respeito a partido ou a lado político, isso diz respeito ao modus operandi, isto é, a maneira de agir e de governar que até então era quase que padrão pelos nossos “representantes”.

O povo vem dizendo não a corrupção, não aos privilégios, não a impunidade já há algum tempo. Porém desta vez é diferente, desta vez a voz foi firme, uníssona e veemente. Um grito… Ou melhor, um brado de protesto. Mas não daquele protesto de se opor e não lutar, de falar e não fazer. O povo saiu às ruas, o povo pediu justiça o povo se cansou de mais do mesmo.

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Nunca antes no passado recente se viu tanta gente se importando com os rumos da nação. Os jovens… Há os jovens, esses sim, saíram do conforto da alienação para discutir bravamente qual rumo tomaremos, ainda que de seus caros iphones, ainda que pelo conforto da internet. Mas discutiram, argumentaram, apontaram o que queriam, e isso faz diferença.

O Tchau aqui simboliza muito, simboliza um adeus a cultura da alienação, simboliza que a grande maioria está antenado no que ocorre no país, e melhor, está disposto a argumentar e lutar para ver melhorar, para ver mudanças.

Uma nação cujo povo tem opinião e faz questão de externá-la e defendê-la, jamais ficará refém de um Estado agigantado, jamais se submeterá a uma desgovernança.  O tchau é um adeus, o tchau é um encontro com nosso futuro, o tchau é um novo Brasil.

 

Ananias Ferreira Santiago
OAB/ES 29.206

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