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Ciclo de debates da CRE destaca gastronomia do Sudeste como propulsora do desenvolvimento

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O papel da gastronomia, do turismo e da economia criativa no desenvolvimento das regiões brasileiras tem sido defendido em um ciclo de debates da Comissão de Relações Exteriores (CRE). No encontro desta quinta-feira (30), o foco foi nas produções da Região Sudeste.

De iniciativa da presidente do colegiado, senadora Kátia Abreu (PP-TO), a programação integra o plano de trabalho para o período 2020-2021 dedicado ao tema “A Política Externa como Indutora da Redução das Desigualdades Regionais”. A primeira audiência aconteceu no início de setembro e destacou as particularidades da Região Norte.   

Na audiência desta quinta, Kátia observou que o Brasil ainda se caracteriza por um marcante desequilíbrio regional. Ela ponderou que, apesar de possuir a economia mais robusta e diversificada do país, a Região Sudeste também apresenta sub-regiões com indicadores sociais deprimidos, tais como o Vale do Ribeira, em São Paulo, e o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A parlamentar apontou a criação de rotas turísticas e de roteiros integrados como uma ação significativa para o desenvolvimento. E aponto que a internacionalização de setores da economia criativa (conjunto de negócios baseados no capital intelectual e cultural e na criatividade) pode melhorar o aproveitamento das potencialidades regionais, sobretudo em áreas carentes da nação. 

— A promoção do turismo de forma regionalizada potencializa a oferta turística local, proporcionando um produto de maior valor agregado, beneficiando tanto a comunidade local quanto os turistas ou visitantes. É exatamente isso que pretendemos impulsionar com a valorização de talentos aqui — ressaltou a senadora. 

Necessidade de preservação

A chef de cozinha Kátia Barbosa ressaltou que, além da comida, as artes nacionais de modo geral são a cultura do país e precisam ser preservadas “numa luta diária”. Emocionada, a debatedora falou do receio de o Brasil sofrer o mesmo que o Panamá que, conforme relatou, teve sua cultura gastronômica totalmente submergida pela dos americanos. Kátia defendeu que os brasileiros estudem mais o Brasil, para não se falar apenas dos ingredientes, mas do conjunto dos valores culturais da nação. 

— Recebo com muito respeito, mas também com muito cuidado a entrada de várias culturas, várias gastronomias no Brasil. Isso é bom do ponto de vista de conhecer o mundo, mas é muito perigoso para a nossa cultura brasileira, já tão fragilizada por tantas dores, dificuldades financeiras, problemas de locomoção do produtor e cuja cadeia de produção já sofre tanto — declarou. 

Inventário das riquezas

O pesquisador da Embrapa João Flávio Veloso Silva destacou o desempenho do Brasil na criação de empregos associados ao turismo. E disse que o país ainda tem territórios, como o Sudeste, cuja biodiversidade apresenta condições para avançar em áreas como a gastronomia. Na opinião do debatedor, a utilização da ciência para inventariar as riquezas brasileiras, aliada ao desenvolvimento de atividades multidisciplinares, ajudará a incrementar o setor. 

— Temos diversidade única, com culturas variadas, e tudo isso associado à atividade dos cozinheiros nacionais, por exemplo, vai proporcionar avanços extremamente necessários. Além disso, políticas públicas para amparar essas abordagens é fundamental para envolver turismo, cultura e gastronomia, até porque alimento não é só satisfação de necessidade fisiológica, mas trata-se de cultura e identidade e precisamos fazer essa conexão. 

Marketing

Gerente da Diretoria de Marketing da Embratur, André Luiz Lira Reis disse que o Brasil está bem posicionado no cenário internacional como destino de natureza e cultura. Segundo o debatedor, a ideia de que o país não é apenas sol e praia tem sido cada vez mais divulgada e aceita entre estrangeiros, por meio de campanhas publicitárias. Reis afirmou ainda que a empresa tem atuado para reposicionar o país no cenário internacional, atuando com foco também na culinária local. 

— Não podemos deixar de trabalhar a gastronomia dentro de nossas estratégias de promoção internacional. O Brasil é rico em diversos recursos e o país está em processo de maturação, mas esse é um caminho que está sendo percorrido — destacou. 

Kátia Abreu pediu que André envie à CRE a programação da participação da Embratur em feiras e eventos para os próximos meses, especialmente relacionados à economia criativa. 

Coronavírus

Kátia considerou especial o debate desta quinta-feira e disse que a pandemia de coronavírus não pode ter surgido à toa, sem deixar ensinamentos. Para a senadora, toda tragédia precisa resultar em ganhos, evolução e melhoras no ser humano e na vida das pessoas. Após tanto sofrimento e tristezas, a crise sanitária ainda vai trazer alegrias e, “por incrível que pareça”, coisas boas para a humanidade, disse ela. 

— Amadurecimento espiritual, sobre o olhar a respeito das pessoas, origens, princípios, recursos naturais. Essa volta [pós-pandemia] não é só à comida, ao alimento: é às raízes. E a raiz do ser humano é boa, e não podre. Pode estar adormecida, mas morta e podre, não. 

Ações práticas

Kátia sugeriu ao Sebrae Nacional que organize uma visita técnica de chefs credenciados em todos os estados à Embrapa Alimentos e Territórios, situada em Alagoas. A parlamentar apresentou outras ações, como a definição de rotas de turismo do Brasil ao redor do mundo e medidas para tornar embaixadas internacionais em casas de demonstração da economia criativa brasileira. 

— O Senado, por meio da Diretoria-Geral e da Gráfica do Senado, vai elaborar publicações mostrando a gastronomia, o artesanato e a cultura. Um pacote completo que servirá para a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos [Apex-Brasil] e a Embratur fazerem seu trabalho lá fora, com objetividade e foco. E a CRE vai acompanhar tudo isso de muito perto — informou.

Degustação

Ao longo da audiência pública, os participantes degustaram iguarias do Sudeste como um mix de queijos mineiros harmonizados com jabuticaba e laranja, molho de pimenta defumada e suco de hibisco com jabuticaba. Após a reunião, convidados por Kátia Abreu participaram de um almoço temático no Restaurante dos Senadores.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Contarato quer derrubar decreto que autoriza destruição de cavernas


O senador Fabiano Contarato (PT-ES) quer sustar o Decreto 10.935, de 2022, que autoriza a realização, em cavernas, de atividades como mineração e construção de linhas de energia, ferrovias e rodovias. Contarato apresentou um Projeto de Decreto de Lei para derrubar a permissão, e ajuizou uma ação popular na Justiça Federal.

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