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Alessandra Piassarollo - ES1.com.br

“Acender a luz do próximo não apaga a sua”

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Não sei relatar a origem desta frase, mas confesso que assim que pousei meus olhos sobre ela, uma memória de infância virou faísca dentro de mim.

Quando era criança tive a oportunidade de viver sob a luz de lampiões e lamparinas a querosene. Lembro que, na minha percepção infantil, era intrigante viver com uma iluminação tão precária, muitas sombras e um tantinho de fumaça em nossos rostos, todo anoitecer. Dessa época guardo também uma memória muito interessante, de uma história que minha mãe contava. Segundo ela, meu irmão mais velho não gostava que se acendesse nenhuma vela ou lamparina a partir da que estivesse com ele, sob intensos protestos de estarem diminuindo sua luz. Ele ainda não compreendia que compartilhar, não diminuiria nem afetaria a chama que ele segurava.

De posse dessa memória afetiva e diante da frase que me chamara a atenção, chego à conclusão de que, mesmo passado o tempo das velas e lamparinas, muitos de nós ainda temem dividir sua luz, a interior. Medo maior, tenho percebido, é o de que a luz dos outros seja mais intensa que a nossa própria.

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Tenho visto muita gente com medo de manifestar o que tem de melhor. E gente mais receosa ainda de reconhecer o que os outros têm de melhor.

Andamos querendo esconder nossos talentos, nossa simpatia, nossas gentilezas, nossa bondade… como quem tem receio de mostrar-se e prefere manter tudo isso oculto, só para si, pra não ter que se dividir com mais ninguém.

Temos preferido fechar nossos olhos diante das luzes dos outros, por não querer reconhecer talentos, dons, capacidades e potenciais; com receio de que o outro brilhe mais do que nós. Nutrimos um comportamento que lembra a imaturidade da infância, com certo cunho egoísta, escondendo-nos, sob caras fechadas e palavras ásperas, sorrisos falsos e gestos pouco afáveis.

A maioria das pessoas esqueceu-se de que ser claridade é muito mais bonito. E que, decidindo ser luz não há quem nos ofusque.

Valorizar o que temos de bom dentro de nós e o que há de bom dentro das outras pessoas é um comportamento nobre e agradabilíssimo e que só faz clarear a alma de quem se permite.

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A luz que ilumina nosso olhar, nosso sorriso, nossa presença, vem do bem que fazemos ou sentimos. É injustificável temer reparti-la. O que faz nossa luz diminuir é o mal, alimentado por nosso egoísmo e por outros sentimentos igualmente obscuros.

Não economize sua luz, não! Seja bom, agradável e gentil; sorria com frequência; elogie sem esperar nada em troca, sem inveja nem receio de que te passem à frente. Ninguém será capaz de tomar seu lugar, nem seu brilho, porque nossos lugares foram marcados, e cada um tem o seu.

Distribua luz, seja luz. Ilumine e se deixe iluminar. O mundo anda escuro demais pra você guardar sua luz só para si. Pense nisso!

 

 

Alessandra Piassarollo
Administradora e Escritora

Alessandra Piassarollo - ES1.com.br

E se eu me for agora, terei amado o suficiente?

Soube da notícia de que um conhecido havia partido dessa vida. De repente, surpreendentemente, sem nenhum tipo de aviso prévio, como a morte costuma fazer.

Fiquei imaginando se as coisas seriam diferentes na vida dele, se ele soubesse que partiria em breve. Imaginei se as coisas seriam diferentes na minha vida, e na vida de todos nós; se não deveríamos estar mais atentos ao fato de que a vida vai terminar para nós também.

Será que temos amado em quantidade suficiente? Será que temos feito o nosso melhor e aproveitado a companhia das outras pessoas? Ou partiremos deixando para trás aquela sensação de que deveríamos ter feito tudo de forma diferente?

Muito provavelmente a resposta é a de que não estamos vivendo da melhor forma possível. Poderíamos estar vivendo com prazer e com mais qualidade. Poderíamos estar pondo freios em nossa preocupação exagerada e nessa vontade de partir pra briga, contra tudo e contra todos, que temos sentido.

Deveríamos refrear nosso velho hábito de deixar coisas importantes para depois, simplesmente porque não temos nenhuma garantia de que o depois virá. E parar de alegar falta de tempo, principalmente se ele estiver sendo mal gasto.

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Aprender a não guardar roupa, calçados e louças para ocasiões especiais. O momento especial é agora, porque ele nos garante vida para desfrutá-lo. Poderíamos parar de economizar o que temos de bom dentro de nós. E não deixar a vida, os amores e os sonhos pra depois. Eles não precisam ficar tanto tempo na sala de espera.

Tampouco podemos desperdiçar o tempo de agora, porque ele é precioso demais para isso. O ontem não regressará e talvez o amanhã não chegue até nós.

Engana-se quem pensa que essas verdades exigem pensamentos negativos. Mas é preciso que fiquemos em estado de alerta e deixemos despertar em nós um desejo irrepreensível de amarmos a vida e tudo o que ela nos oferece.

Que o prazo de validade determinado que nos foi imposto desperte em nós o desejo de diminuir os conflitos e de ter mais sossego interior. Busquemos a sensação reconfortante de ter nossas almas desfrutando de afeto e de tranquilidade; que saibamos reassumir o controle da nossa vida, sem sermos marionetes para o teatro sentimental de ninguém.

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Não queiramos que as circunstâncias da vida tragam-nos arrependimentos por não termos sabido conduzir nossos dias. Amemos o máximo possível: A nós mesmos e às outras pessoas. Tenhamos apreço por quem somos e respeito por quem fomos. Planejemos o futuro de forma que possamos aproveitar bem todas as oportunidades que vierem, enquanto vierem.

Andemos de cabeça erguida, sem culpas desnecessárias. Esforcemo-nos para encarar todos os fatos com leveza e com a certeza de que existe uma lição a ser aprendida em cada acontecimento.

Desfrutemos da vida com a coerência de quem sabe que um dia ela terminará. E torçamos para que o acaso não se canse de nos proteger, caso continuemos a andar tão distraídos.

Alessandra Piassarollo
Administradora e Escritora

 

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