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Alessandra Piassarollo

“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.” – artigo por: Alessandra Piassarollo

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Foto: Pixabay

“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar”, disse Rubem Alves, sobre o endereço de onde nossa alma ficou e de onde ela não quer sair. É que a alma gosta mesmo é de aconchego, de coisas gostosas, de sensação boa. Ela tem o velho hábito de voltar aonde foi feliz, mesmo que isso tenha sido décadas atrás. A casa da alma é na saudade, onde o “para sempre” sempre encontra seu lugar.

A saudade às vezes é feito avó carinhosa: braços abertos, colo perfumado e macio. E lá a gente pode repousar, com pouca pressa e sorriso bonito, revivendo um pedacinho de história bom demais pra ser esquecido e deixado pra lá.

Tem coisa feita pra fazer falta. O Sorriso iluminado da pessoa amada, a primeira amizade de verdade, uma voz no pé do ouvido, algumas pessoas. Aliás, pessoas são nossos maiores motivos. Tem gente que dá uma saudade danada!

Saudade parece uma lamparina, que a gente acendeu para procurar uma felicidadezinha que ficou lá no canto, escondidinha, e que agora quer ver de novo, dar mais um abraço e sentir o conforto bom que só aquela memória doce sabe dar.

Outras vezes, a saudade parece uma dor bem fininha, que dói sem hora marcada e que às vezes dói até sem causa sensata. E ninguém sabe quando vai doer, mas que vai, vai sim. E quando doer, talvez você precise de algumas lágrimas, talvez um cobertor e uma caneca de chá quentinho. Mas é coisa que logo passa, é coisa de saudade mesmo.

Ou não, talvez nem passe. Talvez ela seja eterna, amarrada no peito e bem presa, pra não correr o risco de ser esquecida. Às vezes ela é permanente, fazer o quê? Acontece também!

Algumas coisas constituem saudade imediata, coisa que o coração mal experimentou e já quer viver de volta. Que remédio poderia haver para essa saudade, não é?

Algumas coisas irão nos fazer falta a vida inteira: saudade das doces vantagens da infância, de quando as nuvens ainda pareciam algodão; saudade do tempo em que a gente ainda não tinha dado adeus pra nada, nem pra ninguém. Que tempo bom foi aquele!

É nesses dias de saudade apertada, que a alma faz suas malas e vai pra casa. Pra casa da saudade, sabe? Porque é lá que a alma mora.

Ah, e Rubem Alves também disse que “aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno.” Parece mesmo que ele tinha razão. Que agenda, que nada! Tem coisa que fica marcada. Acho que é daí que nasce a saudade, afinal.

Foto: divulgação

Alessandra Piassarollo
Administradora e Escritora

 

Alessandra Piassarollo

“A vida não pode ser economizada para amanhã.” (Rubem Alves)

Foto: divulgação

Alessandra Piassarollo. Foto: divulgação

Sempre se disse que amanhã pode ser muito tarde. Que é preciso aproveitar o hoje como se fosse uma oportunidade única. E é assim que a vida segue, sem voltar atrás, no ritmo que dermos a ela, no compasso que escolhermos.

Embora, ela não seja tão vaidosa quanto acreditamos. Ela quer ser aproveitada, mas não requer os luxos que atribuímos a ela. A urgência não está somente no ter, no conseguir, no ganhar. Existe importância em tudo, nos momentos de descanso, nas risadas, nas brincadeiras de criança, nas rodas de conversa. Tudo ensina, tudo acrescenta, tudo é capaz de satisfazer.

Vive mais feliz quem aprende a dosar tudo isso. Quem entende que a vida é um conjunto equilibrado de todas essas coisas; que ela vai muito além da rotina apressada que estabelecemos para nossos dias.

A vida é artigo de primeira necessidade. Não se vive sem, não é óbvio? Mas, a maior parte do tempo não reparamos nisso, porque temos nos ocupado com muitas coisas ao mesmo tempo. Os dias passam e na maior parte dele, nós apenas pilotamos nosso automático, porque já programamos nossos passos. O que acontece ao longo do dia passa despercebido. Os abraços, os sorrisos, os encontros, o jardim, a gentileza… tudo fica em segundo plano, porque já temos pressa demais para nos preocupar.

Há um conto muito interessante a esse respeito. Diz-se que um homem se apresentou a um mestre e disse: Meu mestre anterior faleceu. Ele era um homem santo, capaz de fazer muitos milagres. Que milagre és capaz de realizar? E a resposta do mestre foi:  Eu quando como, como; quando durmo, durmo. O homem respondeu, dizendo que isso não era milagre algum, já que ele também era capaz dos mesmos feitos. Ao que o mestre rebateu: Não! Quando você come, pensa em mil coisas; quando dorme, fantasia e sonha. Eu somente como e durmo. Isto é um milagre.

A verdade é que temos cada vez menos a capacidade de fazer esse milagre. É preciso repensar. É necessário se reinventar e tornar a viver com mais leveza, rindo e chorando, errando e aprendendo, caindo e levantando e enxergando tudo isso como algo essencial ao processo de viver. A vida pede compromisso, temos um acordo, o de fazer o nosso melhor a cada dia. Mas com menos pressão do temos feito sobre nós mesmos. É preciso suavidade, doses menores, menos exageros.

É importante que se aprenda a desfrutar de cada dia, com zelo e com gosto. É fundamental criar momentos agradáveis todos os dias, ter um pouco de diversão, de calmaria e de descanso.  Por Rubem Alves, “Carpe Diem” quer dizer “colha a vida”. Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.”

Alessandra Piassarollo
Administradora e Escritora

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