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20 mil profissionais de saúde serão qualificados para atuar na Rede Cuidar

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A Rede Cuidar em Nova Venécia, região Norte do Espírito Santo, já é uma realidade. E nos próximos meses, outras quatro unidades serão entregues no Estado (Linhares, Santa Teresa, Domingos Martins e Guaçuí). A Rede Cuidar é o novo modelo de atendimento à saúde no Espírito Santo.
E para que o programa funcione em sua plenitude, aproximadamente 20 mil profissionais de saúde irão passar pelo processo de planificação em todo Estado. A planificação à saúde é um processo de planejamento que visa integrar a atenção primária a atenção especializada em saúde, propondo um atendimento multiprofissional resolutivo.
Esse processo de qualificação teve início em julho de 2016, na região Norte de Saúde, para a implantação da unidade em Nova Venécia. Na região, 2.400 profissionais de saúde foram qualificados entre julho de 2016 e dezembro de 2017.
Na região Metropolitana de Saúde, as oficinas tiveram início no dia 15 de janeiro e a previsão é que o processo seja encerrado no início de julho. Serão qualificados no processo aproximadamente 10.300 profissionais de saúde.
Na região Central, cerca de 5.000 profissionais de saúde iniciam o processo de planificação entre os dias 19 e 23 de fevereiro, na primeira semana de planificação da Região Central, com oficinas que seguem até o mês de agosto.
E na região Sul, as oficinas de planificação começam no dia 5 de março e seguem até agosto. Um total de 4.274 profissionais irão participar das oficinas de planificação.
O secretário de Estado da Saúde, Ricardo de Oliveira, explicou que a implantação da Rede Cuidar envolve a reorganização da atenção primária, da atenção ambulatorial especializada e a atenção hospitalar. Ele explicou que o processo de planificação das equipes segue até o mês de agosto deste ano, e é fundamental para o sucesso do programa.
“Precisamos mudar o processo básico de atendimento nas unidades básicas porque senão isso não funciona. Isso aqui só irá funcionar se a gente tiver uma unidade básica de saúde resolutiva. Esse novo modelo de atendimento visa dar qualidade no atendimento na atenção primária, que é a porta de entrada do SUS. Por isso estamos fazendo uma mobilização intensa na capacitação para a atenção primária. Vamos treinar cerca de 20 mil pessoas até agosto de 2018 no Estado inteiro”, destacou o secretário.

camera_enhance Estão previstas a implantação de cinco unidades da Rede Cuidar em todas as regiões do Estado. (Crédito: divulgação)



Planificação

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De acordo com a superintendente da Região Central de Saúde, Luciane Cardozo, é a planificação que dará a sustentação para que esse novo modelo de atendimento funcione plenamente. “Essa capacitação que é o que vai dar vida a tudo o que está sendo proposto dentro da unidade, e proporcionar essa mudança de fluxo, essa mudança de fazer. Planificação é o movimento que está sendo feito, o repensar, o revisitar os processos de trabalho dentro das unidades de saúde nos municípios. Uma proposta que vem do Governo do Estado e que, para mim, é o grande diferencial do que está sendo proposto, pensado e discutido”, disse.
A superintendente da região Norte de Saúde, Gilcilene Pretta Cani Ribeiro, destacou que a proposta da articulação para a planificação foi coordenada pela Superintendência Regional Norte com a parceria do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), e operacionalizada em cada município com envolvimento dos prefeitos, secretários municipais de Saúde e equipes técnicas. A região foi a primeira a iniciar o processo de planificação e a receber uma unidade da Rede Cuidar. “Tivemos oportunidade de qualificar conjuntamente toda a Região Norte para iniciar a nova proposta de Saúde para o Espírito Santo. Esse processo de trabalho exigiu muito esforço e conhecimentos técnicos especializados de diversos profissionais e, portanto, foi construído a várias mãos. A região foi pioneira e teve seu trabalho reconhecido e validado tornando-se a “região laboratório” para servir de modelo para implantação da proposta nas demais regiões de Saúde do Estado. Nós, da região Norte, iniciamos um marco para a saúde capixaba. Ainda há muitos desafios, mas estamos caminhando bem”, disse Pretta.
A Rede Cuidar em Nova Venécia foi inaugurada em 18 de setembro de 2017. Até o dia 6 de fevereiro foram atendidas 6.538 pessoas e realizados 29.686 consultas e exames.

Rede Cuidar

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A Rede Cuidar propõe a reorganização do atendimento no sistema de saúde pública do Espírito Santo, desde a porta de entrada na unidade de saúde do município, passando pelas consultas e exames até a rede hospitalar. Entre os benefícios para a população estão o atendimento mais próximo do local de moradia do cidadão, evitando o deslocamento para a Grande Vitória; aumento da oferta de consultas e exames; redução do tempo de espera para consultas e exames; atendimento personalizado e humanizado; integração das equipes da atenção primária às equipes da atenção especializada, garantindo um atendimento multiprofissional capaz de resolver até 95% dos problemas de saúde da população em sua própria região.
Estão previstas a implantação de cinco unidades da Rede Cuidar em todas as regiões do Estado. As unidades estão localizadas em Nova Venécia (em funcionamento), Santa Teresa, Linhares, Guaçuí e Domingos Martins. Com a implantação das cinco unidades, a estimativa é que 1 milhão de pessoas deixem de ser direcionadas para atendimento na Grande Vitória.

Governo ES

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Estudo alerta para urgência de novos tratamentos contra verminoses

As verminoses, doenças que afetam bilhões de pessoas no mundo, tem poucos avanços em estudos clínicos. Entre os motivos para que isso ocorra, está o fato de que elas atingem populações mais pobres, não atraindo investimentos de farmacêuticas. O alerta está em um estudo publicado na revista Drug Discovery Today por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Guarulhos e que tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O trabalho se insere em um contexto no qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, em 2021, um plano de ação para erradicar ou controlar, até 2030, 20 doenças que afetam uma em cada cinco pessoas no mundo e matam cerca de 500 mil por ano. Das 20 doenças, as cinco que mais afetam mais pessoas em números absolutos são verminoses. Uma das estratégias adotadas na busca por novos medicamentos é o reposicionamento farmacológico, estudando medicações já existentes para essas enfermidades negligenciadas.

“Entre as múltiplas metas que foram colocadas no roteiro da OMS, está a busca por novos medicamentos, porque muitas dessas doenças não dispõem de vacina e medicamento considerado de alta eficácia. Embora tenha uma eficácia relativamente boa, mas não o suficiente para controlar a doença, até porque não existe um fármaco 100% eficaz”, afirma Josué de Moraes, que coordena o Núcleo de Pesquisa em Doenças Negligenciadas (NPDN) da Universidade Guarulhos, um dos autores do artigo.

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Esquitossomose

Moraes cita, como exemplo, o caso da esquistossomose, que é considerada a principal verminose em termos de morbidade e mortalidade. “Embora a ascaridiose, que é a lombriga, afete uma parcela maior, quase um bilhão de pessoas, a esquistossomose tem mais impacto na saúde”, explica. Há apenas um remédio disponível para a doença, o praziquantel. “Imagina só você ter um medicamento para uma população acima de 200 milhões”, compara. Além disso, o medicamento também não afeta a forma jovem do parasita, impedindo que o tratamento comece no início da infecção.

O pesquisador destaca, entre os impactos da verminoses, o fato de que elas prejudicam o desenvolvimento intelectual de crianças, contribui para a redução na taxa de escolarização e também pode fazer com que a pessoa se afaste do trabalho com licença médica. “Sempre falo que essas doenças não só prevalecem condições de pobreza, mas também representam um forte entrave ao desenvolvimento dos países e, consequentemente, são determinantes na manutenção do quadro de desigualdade”, avalia.

Entre os motivos que impedem o desenvolvimento de estudos no campo da parasitologia, Moraes cita quatro. “As verminoses são as mais negligenciadas dentre as negligenciadas, principalmente porque é um tipo de doença que está mais associado com a questão da pobreza que as outras”, pontua, como primeiro entrave. Ele aponta ainda o fato de que a doença não enseja um senso de urgência. “Não demonstram, visivelmente, ali para para a população uma necessidade.” Ele lembra que em algumas regiões as verminoses são até vistas como algo comum, do cotidiano.

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Outra dificuldade se dá nos laboratórios. “Os vermes são de difícil manutenção. É muito mais difícil você conseguir manter um verme em laboratório, ao contrário de algumas doenças causadas por protozoários como, por exemplo, malária, leishmaniose, doença de Chagas, entre outras”, exemplifica. Isso acaba prejudicando o conhecimento biológico dos vermes. “Quando disponível, você precisa ter o hospedeiro definitivo, geralmente a gente usa um roedor e um hospedeiro intermediário, no caso da esquistossomose, um caramujo.” Moraes destaca ainda o nojo que os vermes despertam nos indivíduos.

O pesquisador é enfático ao lembrar que outras medidas de saúde pública, como diagnóstico, controle dos vetores de transmissão e saneamento básico universal, são fundamentais para lidar com essas doenças. “Nós temos cerca de 30 milhões de brasileiros que vivem sem água tratada. Praticamente metade da população não tem acesso a esgoto. Então isso reforça esse quadro, que eu diria lamentável, em relação às verminoses”, avalia.

Edição: Maria Claudia

Fonte: EBC Saúde

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